sábado, 2 de julho de 2011

ITAMAR

Morreu Itamar Franco, um dos Presidentes da República do Brasil. Mineiro de Juiz de Fora o ex-presidente era filiado ao PSB e elegeu-se Senador em 2010, cargo que desempenhou até ser hospitalizado.

O Estado, jornal de São Paulo, comentou assim a trajetória do ex-Presidente:

"Itamar nasceu em 28 junho de 1930 a bordo de um navio de cabotagem, no mar entre o Rio de Janeiro e Salvador. A mãe, dona Itália Cautier, havia ficado viúva de Augusto César Stiebler Franco pouco antes do nascimento do filho e o registrou na capital baiana, onde morava um tio.

"Mas Itamar cresceu e tomou gosto pela política em Juiz de Fora (MG), origem de sua família. Estudou no Granbery, o mais tradicional colégio da cidade da Zona da Mata mineira. Na rigorosa instituição, vinculada à Igreja Metodista, se tornou destaque do time de basquete.

"Concluiu o curso Engenharia Civil em 1955 e naquele mesmo ano estreou na política se filiando ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Em vão, tentou se eleger vereador em 1958 e vice-prefeito em 1962. Alcançou o primeiro cargo público - a prefeitura da cidade - cinco anos depois, já filiado ao antigo MDB após o golpe militar de 1964 e o estabelecimento do bipartidarismo. Ficou no Executivo municipal até 1971. No ano seguinte, conquistou um novo mandado na prefeitura, mas em 1974 renunciou e foi eleito senador por Minas Gerais.

"Já no PMDB, após o restabelecimento do pluripartidarismo, Itamar foi reeleito para mais um mandato de senador em 1982, na chapa que levou Tancredo Neves ao governo de Minas. Em 1986, deixou o PMDB e filiou-se ao PL para disputar o governo de Minas. Acabou derrotado justamente pelo peemedebista Newton Cardoso, que havia lhe fechado as portas no antigo partido.

"Itamar voltou ao Senado, participou dos trabalhos da Assembleia Constituinte, mas antes de encerrar o mandato aceitou o convite do então jovem governador de Alagoas, Fernando Collor de Mello, para compor como vice a chapa vitoriosa na campanha presidencial de 1989. O senador por Minas deixou então o PL para ingressar no obscuro Partido da Reconstrução Nacional (PRN).


"As rusgas com Collor começaram ainda na campanha. Tanto que o presidenciável teria solicitado uma consulta ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para saber se poderia trocar seu candidato a vice." Isso não aconteceu e Itamar continuou como candidato.

Tornou-se, com a renúncia de Collor, o 33º Presidente do Brasil desde o início da República, no 24º mandato, que começou com Deodoro da Fonseca em 15 de novembro de 1889. 

Nada houve que desabonasse sua conduta durante o exercício das atividades políticas.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

IDIOTAS

O discurso do ministro Nelson Jobim no dia do aniversário de FHC foi um amontoado de recados subjetivos, hermêticos, envolto em uma fumaça que não é a do bom direito. Serviram, os recados, para colocar interrogações nas cabecinhas pouco acostumadas a pensar daqueles que se equilibram no poder em função de uma tal de ficha de filiação partidária; ficha essa que tem dado garantia de cargos, benesses e muito dinheiro à incompetentes e parasitas.  

Certamente Jobim está deixando o Ministério da Defesa, fosse outra coisa não teria chamado a presidente da república de idiota. Claro, de uma forma velada, mas chamou. Mais ético teria sido o pedido de demissão, simplesmente; mas, pelo que parece, o ministro insatisfeito quer gozar ainda do pouco que lhe resta de poder e, contando com a sorte, esperar que as cabecinhas pouco acostumadas a pensar não se dêm conta daquele recado mal educado, anti-ético e totalmente em desconformidade com a postura que deveria ter um ex-ministro do STJ.

Entretanto, não podemos esquecer que Nelson Jobim, em que pese ter sido ministro da mais alta corte do país, seu presidente e ainda ministro da defesa, nada mais é do que um político que se acotuvelou no poder por conta de coleguismo ideológico. Para quem não sabe, os  ministros do STJ são indicações políticas feita pelo Presidente da República, coisa parecida com apadrinhamento, e a única exigência é que o indicado tenha formação jurídica.

Pois, em agradecimento às muitas indicações políticas que teve por parte do aniversariante o ministro, que em breve será ex, disse tratar-se de um monólogo pró-FHC, e arrematou: "O que se percebe hoje, Fernando, é que os idiotas perderam a modéstia. E nós temos de ter tolerância e compreensão também com os idiotas, que são exatamente aqueles que escrevem para o esquecimento”.

HOMOFOBIA

Projetos de Lei absurdos surgem a todo instante no Congresso Nacional. Alguns repercutem como tal outros conseguem tomar o caminho do plenário. Para contornar tais problemas deputados e senadores de respeito trabalham arduamente.

É o caso do PL 122, de autoria de Iara Bernardi, que ao apagar das luzes do seu mandato como deputada, no dia 12 de dezembro de 2006, o apresentou argumentando que "criminaliza a homofobia". Ressuscitado agora pela esquerda festiva e colorida, responsável pela euforia de libertinos infectos e imorais, esse absurdo pode se tornar Lei.

Preocupado com aquele projeto escrevi ao Senador Magno Malta, parlamentar incansável na defesa da ética e da moral, que respondeu-me tranqüilizando àqueles que esperam a voz da razão ecoar mais alto do que os urros da imoralidade.

Disse-me o Senador que "a proposta do PL 122/06 como se encontra fere a liberdade da manifestação religiosa segrega os heterossexuais, tolhe o direito a livre manifestação do pensamento suprimindo o direito à opinião do individuo, conferindo mais direitos aos homossexuais do que ao restante da população. O projeto da homofobia pretende criminalizar o comportamento ético e moral permitindo demonstrações públicas de intimidade e sexualidade. Dando um péssimo exemplo as crianças que, um dia, formarão suas famílias; deturpando conceitos e atentando contra toda a sociedade." 

O projeto está aguardando que seja marca data para audiência pública na Comissão de Direitos Humanos e o Senador afirmou que "no que depender de mim o Projeto da Homofobia jamais será aprovado no Congresso Nacional. Combaterei até o último momento e até a última esperança como fiz contra o Narcotráfico e os Bingos."

quinta-feira, 30 de junho de 2011

PALHAÇADAS

Um cidadão vestido de palhaço vai à TV e diz: palhaço por palhaço vote no verdadeiro. Ora, de certa forma corretíssimo pois àquele cidadão tem como profissão o que chamam de ator de circo, ser palhaço, que encanta crianças com sua travessuras e traquinices; alguns com o trabalho bem aformoseado e outros de um mau gosto e uma falta de técnica que o arruinaria em qualquer outra profissão. Enfim, palhaçadas a parte, um palhaço artista deve se dedicar à sua profissão e ao seu público com grande esmero e cada vez mais procurar aperfeiçoar sua técnica para exercer um bom trabalho. Seu público merece, deve exigir e é quem o paga ao se proporem assistir aquilo que chamam de espetáculo. Alguns palhaços fazem suas trapalhadas em canais de TV, afinal tem TV para todos os gostos, e, o botão liga-desliga, é a nossa sorte.

Pois, o palhaço da TV foi descoberto pelos políticos de plantão. Bem treinados, os políticos, naquilo que alguns chamam de marketing político e outros de técnicas para enganar o povo, conseguiram, sem muito esforço, que a palhaçada tivesse repercussão de tamanha intensidade que culminou com a eleição de um candidato que exerce, ou exercia, a profissão de palhaço, ou ator, como queiram.

Esse palhaço, ou ator, é hoje Deputado Federal e isso não se discute. O povo quis um palhaço verdadeiro como Deputado Federal. Foi isso que o partido daquele cidadão disse em alto e bom som nas propagandas políticas. E o povo confirmou seu desejo votando expressivamente naquele palhaço, ou melhor, candidato. É indiscutível a vontade do povo, definidas nas urnas, da forma mais democrática possível. O povo quis um palhaço no poder.

Mas existem regras para que alguém possa exercer um mandato parlamentar, mesmo que ele seja palhaço; não basta somente a vontade do povo. Um mínimo de qualidade o cidadão deve ter, ou seja; ser maior de idade, estar em dia com suas obrigações militares e eleitorais e outras obrigações corriqueiras para que não se eleja um malfeitor. Também, o cidadão não poderia ser analfabeto. Não poderia pois, pelo que me pareceu na análise escolar feita com aquele candidato, aclamado pelo povo, é de que o cidadão não tem as mínimas condições de ler um texto, escrever um outro ou mesmo copiá-lo. 

Mas,  quem sou eu para recriminar o judiciário que, convencido das habilidades estudantis adquiridas pelo então candidato, não sei em que escola, talvez de forma auto-didática, superou a regra mais elementar exigida para um político: saber ler e escrever.

Então, nada poderemos fazer quando um presidente de partido político, também eleito deputado federal, indica seu companheiro palhaço, ou melhor, deputado federal, analfabeto, desculpem-me, semi-analfabeto ou analfabeto não funcional, ou ainda, um cidadão que conseguiu convencer a justiça que sabe, com muito esforço, ler um pequeno trecho de um pequeno texto, mesmo que o esforço seja eivado de erros e, ainda, escrever, talvez o seu nome ou copiar alguma outra coisa que lhe solicitaram; enfim, esse cidadão, com todos os direitos, plenos, insofismáveis, em um país democrático e sério, foi indicado e é hoje membro da mais importante comissão do parlamento brasileiro: a Comissão de Educação. 

Indicado pelo seu colega e chefe, que o descobriu nas palhaçadas da vida, e como a um tiro certeiro levou seu partido de aluguel a conseguir uma legenda razoável, agora juntos legislarão por longos quatro anos de palhaçadas, digo, quatro anos de mandato parlamentar.

Quem é o responsável por isso? O povo!

Um deboche do povo! Deboche duplo! O povo debocha nas urnas e o seu representante debocha no parlamento. Debocha do próprio povo que o elegeu mas, como foi eleito por um deboche, tudo é deboche! Que belo exemplo estamos deixando para nossa história! Mas que importância tem isso? Nem para os filhos deixamos mais exemplos!

Sorte é que a história tem se comportado da forma como o é uma linha sinoidal: com nuances de altos e baixos; um sobe e desce. Pelo que parece estamos hoje no mais profundo buraco; e em política nem se fala: atingimos o caos.

* texto dedicado aos verdadeiros atores de circo, palhaços incontestes, que fazem da sua profissão um exercício de cidadania e de ética e que, com muito esforço, não se desviam para palhaçadas propostas por palhaços não profissionais.