quarta-feira, 19 de setembro de 2012

FUMAÇA DO BOM DIREITO

Segue a rotina dos julgamentos no STF e o Ministro Joaquim Barbosa está defenestrando a bandidagem da política. Hoje foi a vez de Costa Neto e o ex-bispo Rodrigues sentirem o mêdo de pagar pelos erros do passado não muito distante. Esses mensaleiros, que amealharam milhões e eram, à epoca, os grandes mandões no Congresso, além de participarem do altíssimo clero, também desdenhavam os parlamentares que, pejorativamente, eram chamados membros do baixo clero. Foram eles que, quando perderam a Presidência da Câmara dos Deputados para um membro do baixo clero, Severino Cavalcante, armaram aquela arapuca de mensalinho, com o puxa-saco do dono do restaurante, que acreditava seria eleito deputado posteriormente, e obrigaram Severino a renunciar ao cargo e ao mandato.

Para tristeza desses impostores Severino Cavalcante hoje é Prefeito da sua cidade, e nada deve à justiça. Não sou cabo eleitoral de Severino e tampouco tenho procuração sua para fazer essa defesa, mas um pouquinho de verdade, embora coberta pelas calúnias daquela ocasião, não faz mal a ninguém.

O Ministro Joaquim Barbosa deu várias cochiladas no plenário em outros julgamentos mas nunca dormiu em cima de um processo e, agora, como relator, está mostrando que muitas horas de sono foram desperdiçadas para que esse trabalho árduo e de grande utilidade para a nação tivesse o rigor necessário que se quer em um julgamento dessa natureza.

A necessidade de se apurar, com rigor, a verdade, parece que está voltando aos tribunais; o que se quer é julgamentos que condenem os larápios e de uma vez por todas retire dessa fila perniciosa os inocentes, que lá foram jogados por conta das mentiras, das armações covardes, através de calúnias infames e ardilosas desses mesmos bandidos que ora estão sendo condenados.

Em outros processos, arrastando-se pelos tribunais brasileiros, vários inocentes, vítimas da difamação e da armação política, aguardam com ansiedade que a verdade venha à tona, para que possam ter de volta a tranqüilidade que lhes é devida.

Não tenho dúvidas que outros juristas como Joaquim Barbosa estão espalhados pelos tribunais brasileiros; tenho esperança que esses homens, competentes na sua profissão de julgador, busquem somente a verdade, fugindo aos holofotes da fama e do alardeamento jornalístico que maculam a imagem da justiça.

Que espalhe-se pelos tribunais do Brasil a fumaça do bom direito!

terça-feira, 18 de setembro de 2012

DEBATE PAULISTANO

O debate que assisti pela internet, dos candidatos a Prefeito de São Paulo, foi tão morno que pareceu  conversa mole de compadre. Não existem propostas, apenas repetição de velhos e antigos "chavões" de campanha, desgastados pelo tempo, pela impossibilidade de execução e pelo mais provável: são apenas promessas que nunca serão cumpridas. Não há mais idéias, propostas plausíveis, conhecimento e garra para debatê-los e executá-los. Tudo é tão falacioso que não se consegue vislumbrar um ínfimo de verdade.

Serra está desgastado, cansado, ultrapassado; sem ânimo, empurra uma campanha que tem o claríssimo objetivo, caso fosse eleito, de levá-lo a renunciar nos próximos dois anos para se candidatar, mais uma vez, a Presidência da República.

Russomano, para mim a grande surpresa desta eleição no que se refere a vantagem nas pesquisas, é fraco em debates, não terá equipe para comandar a maior cidade do país e aparece como o queridinho da população apenas por conta da Igreja Universal; fosse em tempos idos, ao lado de Paulo Maluf, não emplacaria nem ao menos como candidato a vice do seu grande mentor político e hoje desafeto.

Os demais apenas fazem número. Haddad é uma invenção de Lula como o foi Dilma, só que o povo não cai duas vezes na mesma armadilha. Chalita seria uma aposta, uma vez que tem equipe para auxiliá-lo, foi Secretário de Estado, e seu partido tem base para proporcionar-lhe sustentação política; embora algumas de suas propostas sejam até risíveis. Entretanto não deslanchou nas pesquisas e vai cair na vala comum. Se esses dois já mal se sustentam na campanha, imagine-se o restante dos candidatos. Fazem somente número.

Fato é que as pesquisas têm sido fidedignas em eleições; têm sido também responsável pela manipulação do eleitor, pois num país de analfabetos políticos a maioria vota orientado pela pesquisa; isso levará Celso Russomano ao segundo turno com Serra, podendo ser o próximo Prefeito de São Paulo.

Entretanto, assim como Kassab, quem sabe possa angariar nessa caminhada alguma ajuda para facilitar seu trabalho de governar uma Prefeitura com orçamento milionário e com dívidas monstruosas.

Para mim as pesquisas já decidiram e Russomano será Prefeito!

domingo, 16 de setembro de 2012

MARCOS VALÉRIO ENTREGA LULA

Está claro para Marcos Valério que ele já está condenado e que a pena deve ser amarga; essa constatação fez com que os segredos guardados a sete chaves começassem a ser contados, uma vez que as promessas de garantias evaporaram-se.

Aquilo que era óbvio para qualquer leigo, mas que não encontrou respaldo nos acusadores formais, agora vem a baila: Lula sabia do esquema do mensalão e, quiçá, era o chefe supremo  da maracutaia, juntamente com Zé Dirceu, o ministro.

O que mais surpreende é que o PT não embolsou somente 55 milhões, através do esquema de desvio de verba pública, e sim 350 milhões de reais!

Esse é o Partido dos Trabalhadores e seus chefes e membros àqueles que dizem defender os interesses da classe trabalhadora.

E agora?

E AGORA LULA?

O Supremo tem demonstrado com clareza qual vai ser o rumo final do processo sobre o "mensalão", apelido dado por Roberto Jeferson à maior compra de votos feita por um Presidente da República já constatada em nosso País.

Lula comprava votos para Projetos de Lei do seu interesse, através de uma verba distribuída à certos deputados da sua base aliada; o grande idealizador da maracutaia e chefe dos vendilhões da pátria era seu primeiro ministro, ou chefe da casa civil, e ex-terrorista, José Dirceu, que também recebeu o apelido de ex-guerrilheiro. Na verdade foram, em tempos idos, na designação mais correta, baderneiros. O mesmo que até hoje fazem; agora com mais sofisticação, tecnologia, know-how e com terno e gravata.

Embora a impossibilidade de apresentar-se novidades ao processo, Lula é destaque pelos comentários já feitos em que admite a existência do mensalão em seu governo; entretanto não é réu nem testemunha.

Alguns dizem que Lula é safo (*) outros que é safado. Safo ou safado essa esperteza lhe garantiu uma aposentadoria presidencial muito melhor do que os demais ex-presidentes; assim como possibilitou que seu filho, ex-vigilante de zoológico, se tornasse um dos homens mais ricos do País. Além do mais o seu PT amealhou fortunas com o desvio de verbas públicas.

Pelo que a realidade demonstra o mensalão não ficou somente nas esferas do Congresso.
 
(*) Safo: esperto, inteligente, ágil.

sábado, 8 de setembro de 2012

Um diálogo interno com Dilma Roussef



Mesmo contra a vontade, não poderia a Presidente Dilma, furtar-se deste protocolo, de dirigir-se à Nação no dia de sua Independência. O objetivo de S. M. Imperial D. Pedro I, em 1822, ao Proclamar a Independência, era que o Brasil deixasse de ser Colônia, produzindo com seu trabalho escravo, proventos suficientes para sustentar os luxos dos Reis de Portugal.
Quando foi isso mesmo? De lá pra cá, exceto gritar e jogar na lama o nome dos oportunistas, absolutamente nada mudou, convenhamos. O valor do salário mínimo no País demonstra que a Lei Áurea, deve ter sido assinada a lápis.
 
Continuamos sendo a máquina que produz luxos alheios. E no Brasil admitamos que não são poucos. Hoje, já de forma escancarada, pois já não existe quem se oponha. Enquanto a cada dia a ração diária de farelos dada ao povo diminui, o que deveria alimenta-lo se torna a cereja do bolo dos governantes do Brasil. Cerejas que nem vermelha ficam, ao serem referidas como Mensalão, Cachoeira e todos os seus desmembramentos.
 
Entre uma teclada e outra, algo de seu discurso vazio e estéril, entrou em meu cérebro, já tão cansado.
 
E do que sobrou dirijo a V. Exa. estas mal traçadas linhas. Se em outras vezes o mesmo ato fiz, o de escrever sobre a data, por emoção de gratidão por ser *brasiliana hoje o faço movida pela perplexidade e em seguida indignação.
 
Não consegui em momento algum me identificar como parte alguma do País que V.Exa. descrevia em seu discurso. Imaginei estar se tratando do País “DiLuLópolis” ou qualquer outra combinação mais próxima.
 
Menos do meu Brasil.
 
Caso seja mesmo do Brasil, admito que diante do que afirmava V. Exa me dei conta de minha situação de penúria. Perto dos bem sucedidos, em e por, seu governo, estou basicamente abaixo da linha da miséria. Ao mesmo tempo em me iludo ser produtiva em trabalhar e gerar renda. E não é pouco. Não consegui entender que País é este, a que V. Exa. se referia, quando falava de “crescimento, inflação controlada, e uma significativa igualdade social”.
 
No Brasil em que vivo, o salário mínimo é indecente, o Governo Federal, não ampara sua população, afronta e descumpre a Constituição Federal, assim como viola quotidianamente a Legislação. Ignora injustiças, pois nada faz para corrigi-las. No Brasil que eu vivo, a Presidente ignora totalmente os anseios da Nação, acreditando que é Rainha e o sistema é monarquia. Dá-se ao direito de recolher-se ao silêncio, como se o modelo Democracia e Voto direto lhe permitissem tamanha desfaçatez. Muitos, como eu deve por minutos ter pedido noção de tempo e espaço, psicóticos, evidentemente muito felizes, por nos sentirmos no País das Maravilhas que V.Exa. descrevia.
 
Acordada então para a realidade, me pego aqui falando do Brasil, Presidente Dilma, País que V.Exa. tem nas mãos, por poder transferido pelo Povo Brasiliano. E cuja cumplicidade de V.Exa, com projetos e ideais políticos de megalomaníacos, ideologias de ANCIÃOS insanos, cujos resultados comprovadamente são malignos, está dizimando seu povo.
 
Embora seu discurso frio, cumpra o Protocolo, não pacifica a nação. Gostaríamos de ter ouvido a posição de V. Exa. a respeito dos companheiros José Dirceu, Genoíno, e seu mestre e criador, se não adestrador, Luiz Inácio “Mensaleiro” da Silva. Não fomos merecedores de um minuto da atenção de V. Exa. Não vi uma referencia ou um minuto de silencio aos mortos nas enchentes do Rio e os que sobraram até hoje não realocados, pelos que morrem sem atendimento nas filas do SUS, dos mortos a tiros partidos de armas daqueles que a nação paga para nos proteger nem pelos que morrem de sede no Nordeste.  Não vimos prestações de contas.
 
Que espécie de Presidente, não pune e não declara um “sinto muito” pelas tragédias todas ocorridas em 2012 consequência da omissão do governo de V. Exa? Algumas repetidas cujos milhões repassados por V.Exa, fora mais uma vez arrancados de quem era de direito? Só para seu controle Presidente: os que morrem por negligencia, omissão e conivência, morrem tendo como responsável o governo de V. Exa.
 
Que espécie de Presidente não dá a assistência, embora tenha muito mais condições do que admite? Está ai, os 200 milhões emprestados por V.Exa. a Cuba, sem ter sido autorizado pelo Congresso Nacional ou autorizado pelos legítimos donos destes valores.
 
A causa é sua Exa. Não significa que 200 milhões de pessoas, a siga. V.Exa, esta comprometendo TODOS os brasileiros, em nome do que seu Partido e Governo acreditam. Direito que jamais Presidente Dilma, lhe foi concedido. V.Exa. está se excedendo em muito, em sua liberdade e se omitido na mesma proporção, de suas obrigações. Esta decisão e comportamento faz jus a uma Ditadora. Jamais a uma Democrata.
 
Assim como a declaração de Luiz Inácio, declarando apoio a Chávez, falando em “Nós” é totalmente descabido. Quem é o “nós” Exa?  O Partido dos Trabalhadores? Os partidos aliados do governo? O próprio governo? Luiz Inácio falou pela Nação Brasileira Exa? Seu silêncio significa que V.Exa. permitiu a Luiz Inácio tamanho abuso?
 
Urge esclarecer ao mundo que a declaração de Luiz Inácio de “Tua vitória (Chávez) é a nossa vitória”, feita de forma como se fosse desejo expresso do povo brasiliano, é um grande equívoco, uma irresponsabilidade e um enorme abuso. O fato de Luiz Inácio ser seu amigo, companheiro, e antecessor, não lhe concede poder algum para isso. Aceitar que Luiz Inácio ainda fale por mim, é me sentir uma rata. Sei errar sozinha. E sou dona de minhas vontades, e jamais permiti ou permitirei que Luiz Inácio, fale em meu nome. Imponha a Luiz Inácio, que se coloque no lugar dele. E respeite a Nação, que o quer bem longe das decisões.
 
Assim, como que fique claro para o mundo que os 200 milhões emprestados a Cuba, gerou indignação do povo. Jamais anuência. Deixem-nos fora desta loucura, que começa a anunciar-se totalmente fora de controle.
 
Clareie isso ao mundo Presidente, pois o povo lhe exige.
 
V.Exa. está se excedendo em muito, em sua liberdade e deixando a desejar em muito se não na mesma na mesma proporção, no que tange à suas suas obrigações, enquanto Presidente.
Enfim, como na Democracia Brasileira, quem pode manda, obedece quem tem juízo, resta dizer que não tenho nada, e duvido que algum Brasiliano honesto o tenha, para festejar neste 7 de Setembro.
 
Não me atrai saber que continuarei a ouvir discursos vazios, cujas palavras propositalmente colocadas, demonstram o claro proposito de manipular os últimos crentes.
 
Apostei que V.Exa. usaria as palavras democracia, cidadania, liberdade, família brasileira, moradia, valores, ética, crescimento, princípios, educação, cultura.  E com absoluta certeza, afirmaria que o Brasil cresceu. Que está tudo muito bom, esta tudo muito bem. Previsibilidade constatada. Ouvimos isso há 12 anos, embora na vida real, o parafuso não pare de ser apertado. Entendo agora, que o Brasil, para V. Exa se resume a V. Exa, e os seus companheiros. E estes, sabemos estão muito bem e vivem de acordo com o Brasil descrito por V. Exa. em seu discurso, em comemoração á nossa Independência.
 
Afinal, A Firma só prospera, à custa do trabalho remunerado com R$ 615,00, de seus operários. A igualdade social é certa. Hoje temos uma classe imensa que é a Plebe, que viramos todos da A, até a classe D, E, F… E temos no país a segunda classe social: a classe Petista, que embora ínfima, vem sendo a dominante, a opressora, a sufocante. A classe de pessoas que está acima do bem e do mal.
 
Constatado isso, passo a questionar, que tipo de lealdade, princípios ou valores, faz uma Presidente, sacrificar a Nação em nome de um projeto social, psicótico, retrógado, genocida, que está comprometendo a Nação inteira?
 
Que espécie de Presidente ignora seus eleitores, por voto DIRETO, e segue fazendo o que contraria a vontade expressa pelo senso comum? Que espécie de líder, age como se não tivesse que ser a primeira a cumprir e exigir o cumprimento da LEGISLAÇÃO PÁTRIA, por ironia a ÚNICA garantia que V. Exa. tem de legitimar seu mandato? Que deixa-se macular e à sua imagem, por ser aliada das idéias e da pessoa do chefe de uma quadrilha em julgamento pelo STF, neste exato momento histórico? Que vem sendo humilhado, debochado, escrachado, transformado em chacota, rechaçado, motivo de rogação de pragas da nação inteira? Referido como um ébrio, analfabeto funcional com 80 títulos de Doutor Honoris Causa, iletrado, chamado de LADRAO e o mais triste, TRAIDOR? Um desprezado por milhões de Brasilianos, em sua maioria.
 
Que espécie de Presidente ignora a mortandade diária de seu povo por omissão, negligencia e conivência de seu governo? Que não toma medida alguma para deter o cancro que a todos corrói chamado corrupção? Pelo contrario, tem por aliados, os próprios agentes?
Que espécie de Presidente permite que seu povo more nos esgotos, NasRuas, vítimas da dependência química, nas favelas, esperando uma vida por reassentamento? Que assiste sem remorso, seu povo morrer por falta de atendimento médico? Por violência doméstica? Por abusos de toda espécie?
 
Que ignora totalmente o individuo?
 
Que espécie de Presidente fomenta a discórdia entre os seus, se não objetivar a divisão de seu povo, de forma a obter seu próprio exército? Exército, este criado em cima da Revolta?
Que espécie de Presidente assiste impávida, criarem mecanismos que destrói famílias, pois corrói o principio da moral, do civismo, da honestidade, da cidadania, da questão de ordem natural das coisas, culminando com o Pátrio Poder?
 
Que espécie de Presidente, tira dos pais, o direito de cuidar e tratar de seus filhos? Não assiste a vitimas, e obriga pais a recorrerem a Justiça para tratar filhos, dependentes químicos, se não os quiser nas ruas para que morram vitimas de sua doença? Que assiste uma geração inteira ser dizimada pelo crack, e não cria uma única clinica gratuita para tratamento? Que espécie de presidente não pune com severidade quem abusa de seus idosos e crianças?  Que permite a sugestão da total perda de valores familiares, com sugestão do não nome de pais em certidão de nascimento, rompendo definitivamente com todos os laços?
 
Que espécie de Presidente deixa seu Povo à deriva, sem prestar-lhe o socorro devido, e ainda o tripudia ou ignora? Que mantem seu povo humilhado, sem autoestima, obesa pela medicação ingerida diariamente para ficar anestesiado e desta forma não enlouquecer?  Que faz com que este povo acredite que é livre votar e eleger, mas não é livre para exigir a mudança?
 
Que espécie de Presidente deste País tão rico, segundo afirmação de V. Exa permite que seu povo morra de fome, após ter pedido ajuda em horário nobre, Jornal Nacional?
 
Eu nunca irei me esquecer da reportagem.
 
Foi uma das raras que ainda me comove. E chorei muito. Senti-me culpada, responsável, conivente, omissa, impotente, assassina e cúmplice. Como me senti no dia das 13 crianças mortas na Escola do RJ. E me senti muito mal. E jurei nunca mais permitir que o governo me deixasse daquela forma. Pois não me permitira mais me sentir responsável por atos e permissões de V. Exa.
 
Que espécie de presidente permite o pânico em seu povo, que não se admite ser morta por tiros das armas, de quem o povo sustenta para defendê-lo? Que tipo de presidente, permite que seu povo cresça e viva sem referencial histórico ou patriótico algum?
 
Sinto-me em Luto neste 7 de Setembro.
 
Uma apátrida, sem referencial politico, sem crença na Justiça, sem esperança alguma de mudança.
 
Não me sinto livre.
 
Não vivo numa democracia.
 
E não lhe reconheço como Presidente.
 
Muito antes uma tirana, uma déspota, uma usurpadora.
 
À qual eu, como cidadã e amante da filosofia **Anarquista, tenho o dever, perante os fatos, de me de declarar sua opositora, assim como de seus seguidores.
 
Os objetivos e desejos são totalmente antagônicos.
 
Em meu entendimento, V. Exa. é um segundo, mais grave e irreversível, engano dos Brasilianos.
 
Não se preocupe possivelmente não lhe darei muito trabalho.
 
Estou optando em sair do Pais, e terminar meus dias limpando privada de europeu.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

SURPRESAS E MESMISSES

Celso Russomano, o desafeto de Paulo Maluf, continua liderando a pesquisa para Prefeitura de São Paulo. Com 34% das intenções de voto, está à frente de José Serra, 21%, seu único concorrente até agora.

No PP, Partido Progressista, sempre enfrentou discordias com seu antigo patrão, o atual dono, infelizmente, da sigla que um dia foi a mais importante do País. Paulo Maluf transformou o PP em adendo do poder; seja quem for o mandatário, e esfacelou um grupo que antes desta catástrofe tinha políticos de valor para disputar cargos, inclusive, no executivo.

A surpresa destas eleições está sendo Russomano, o resto é a mesmisse de sempre. Alojado agora no PRB, têm à sua disposição a máquina da igreja dos "bispos televisivos" e isto, num país de analfabetos políticos, conta muitíssimo.

Eu não desejo sorte a nenhum político, nem mesmo àqueles que foram meus colegas no Congresso Nacional; o que desejo é que cada vez mais o povo receba àquilo que merece pois é através do voto desse mesmo povo que a nação caminha perigosamente em direção ao caos.

Se é para  quebrar o País, que seja logo, pois o definhamento é muito mais doloroso.

Um lembrete para àqueles que nunca lembram em quem votaram nas últimas eleições:

OS GENERAIS PRESIDENTES 

Uma evidência salta aos olhos...

Castelo Branco,
quando morreu, num desastre de avião, verificaram os herdeiros que seu patrimônio limitava-se a um apartamento em Ipanema e umas poucas ações de empresas públicas e privadas.

Costa e Silva,
acometido por um derrame cerebral, recebeu de favor o privilégio de permanecer até o desenlace no palácio das Laranjeiras, deixando para a viúva a pensão de marechal e um apartamento em construção, em Copacabana.

Garrastazu Médici,
dispunha, como herança de família, de uma fazenda de gado em Bagé, mas quando adoeceu, precisou ser tratado no Hospital da Aeronáutica, no Galeão.

Ernesto Geisel,
antes de assumir a presidência da República, comprou o Sítio dos Cinamonos, em Teresópolis, que a filha vendeu para poder manter-se no apartamento de três quartos e sala, no Rio.

João Figueiredo,
depois de deixar o poder, não aguentou as despesas do Sítio do Dragão, em Petrópolis, vendendo primeiro os cavalos e depois a propriedade. Sua viúva, recentemente falecida, deixou um apartamento em São Conrado que os filhos depois colocaram à venda, ao que parece em estado lamentável de conservação.

Bem diferente dos tempos atuais.

DE BANDIDO À HERÓI!


A imprensa brasileira é capaz de transformar a vida do homem público em um inferno. Que o diga Joaquim Barbosa, antes de fazer seu relatório sobre o mensalão. Era bandido! Tudo que publicavam sobre o Ministro desmerecia sua capacidade intelectual e o transformava em párea do serviço público. Atiravam pedras e maltratavam sua imagem. Esqueciam do homem e o tratavam simplesmente como à uma máquina, que acreditam deva ser o funcionário público. Joaquim Barbosa antes de ser Ministro é uma pessoa humana, que pode ficar doente e por isso deve entrar em licença médica. Pois a imprensa não se conteve e o esfacelou publicamente convidando-o até, pasmem, a se retirar do tribunal a que pertence. Estampadas na internet ainda perambulam essas notícias apesar de que, agora, pululam uma avalanche de elogios pelo seu voto condenatório à outros funcionários públicos.

O que Joaquim deveria fazer com seu voto é problema da sua capacidade intelectual de julgador, de Juiz, de homem que estudou para discernir o certo do errado; embora também possa errar. Não entrarei no mérito do julgamento, mesmo porque não sou Juiz nesse caso e a opinião pública faz uma péssimo serviço à nação quando se intromete onde não tem competência; que o digam certos blogs que se julgam donos da verdade, a imprensa que não somente se julga mas acredita ser a dona da verdade e os incautos, mal intencionados e demais metidos naquilo que não é chamado.

Parabéns ao Juiz, ao Ministro, ao homem público, ao barnabé, como ele mesmo se auto-denominou, pelo exaustivo trabalho que lhe conferiu várias citações na internet apagando um pouco a parafernália de insultos a que foi submertido pela imprensa chamada de oficial, mas chacal, e blogueiros metidos a juízes.

De minha parte, sobre o mensalão, Roberto Jerferson já disse quase tudo, o apurado faro dos juízes é que irá separar o joio do trigo e, pelo que parece, alguns já foram ceifados.

sábado, 1 de setembro de 2012

PESQUISA ELEITORAL

SÃO PAULO:

Celso Russomanno (PRB) – 31% das intenções de voto
José Serra (PSDB) – 20%
Fernando Haddad (PT) – 16%
Gabriel Chalita (PMDB) – 5%
Soninha (PPS) – 4%
Paulinho da Força (PDT) – 1%
Ana Luiza (PSTU) – não pontuou
Carlos Giannazi (PSOL) – não pontuou
Eymael (PSDC) – não pontuou
Miguel (PPL) – não pontuou
Anaí Caproni (PCO) – não pontuou
Levy Fidelix (PRTB) – não foi citado
Em branco ou nulo – 12%
Não sabe – 9%


RIO DE JANEIRO:

Eduardo Paes, 53%
Marcelo Freixo, 13%

BELO HORIZONTE:

Márcio Lacerda, 46%
Patrus Ananias, 30%

RECIFE:

Humberto Costa, 29%
Geraldo Júlio, 29%

PORTO ALEGRE:

José Fortunati, 36%
Manuela D'Avila, 32% 

FLORIANÓPOLIS:

Cesar Souza, 30%
Angela Albino, 26%

FORÇAS ARMADAS: Depreciadas e mal pagas...


Até quando?
 
O congelamento salarial dos militares, com o consequente esvaziamento dos quadros funcionais para outras carreiras públicas, antes de ser mera medida de "contenção de gastos”, “prudência orçamentária” ou "ajuste fiscal", revela-se na verdade como uma forma perniciosa, lenta e gradual do Executivo Federal de enfraquecer, sucatear e desmoralizar a instituição, que por dever de ofício em cumprimento a norma constitucional, não se submete à vontade política de indivíduos, autoridades, ideologias, partidos políticos, interesses pessoais ou transnacionais.
 
A autonomia administrativa, orçamentária e financeira das Forças Armadas, deve ser assegurada na Constituição Federal como forma de garantir, que os meios necessários ao funcionamento dessa instituição, não fiquem refém de ideologias, partidos políticos ou condicionados à vontade única do Poder Executivo; preservando-lhes a independência, um dos alicerces do regime democrático.
 
O Poder Executivo, porém, desrespeitou a Constituição ao longo de onze anos, e demonstra que irá fazer o mesmo no corrente ano, apesar dos gastos públicos com o funcionalismo federal estarem abaixo dos limites fixados na Lei de Responsabilidade Fiscal e, haver recursos disponíveis. O desrespeito a estas garantias republicanas remonta às práticas mais espúrias e vis dos regimes ditatoriais, nos quais, as instituições democráticas existentes submetem-se à vontade exclusiva de uma só pessoa, um grupo ou um partido político.
 
Diante deste quadro, resta apenas uma pergunta: a quem interessa Forças Armadas enfraquecidas?
 
 
Na busca pelos seus direitos, aos militares das Forças Armadas não é permitido o recurso democrático da greve, nem a sindicalização.
Sob o império de regulamentos rígidos e disciplina vigorosa, a família militar fica refém da boa, ou má vontade do governo, em conceder uma remuneração justa. Nos últimos onze anos os governos dissociados das causas militares, desrespeitando a Lei Maior, têm demonstrado uma perniciosa má vontade de revisar os soldos, visando atender as prementes necessidades da classe. O desespero levou um grupo de militares à inédita ação democrática de, através Petição Pública direcionada ao senado federal, solicitar que aquela casa promovesse um debate com o governo, no sentido de recompor a histórica perda nos soldos. A intenção foi boa, a lamentar foi o “erro de figura”; os atuais políticos não estão compromissados com a Pátria, com o Povo nem com as FFAA, (salvo honrosas exceções). A casa como um todo sequer se pronunciou.
 
Cônscio de que algo tem que ser feito, no sentido de constranger o governo a cumprir a lei que regula a revisão nos soldos militares, eu Sarides Ferreira de Freitas, 2º sargento reformado do exército, criei uma Petição AVAAZ: http://www.avaaz.org/po/petition/Revisao_nos_Soldos_das_Forcas_Armadas/?ccWihdb ,  instituição com idoneidade internacional, destinada ao Ministério do Planejamento, para que este cumpra os ritos internos, que possibilitem a inclusão de verba no Orçamento Geral da União de 2013, visando o cumprimento da lei 10.331, de 18 de dezembro de 2001.
 
Abandonados pela classe política, desamparado pela lei, sem apoio da grande mídia, depreciados pela presidente, nós militares estamos órfãos, sem arrimo. Resta-nos o último recurso democrático e, talvez, se o obtivermos, o mais eficaz contra os que desrespeitam a lei: A Opinião Pública. Assim sendo, no dia 24 próximo, será entregue ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, a Petição com mais de dez mil assinaturas colhidas. Este ato simbólico só surtirá o efeito desejado, se houver uma massiva divulgação por todos os meios possíveis, contamos com a ajuda de todos os Patriotas.
 
Quero neste momento agradecer a todos que anonimamente ajudaram esta campanha, e, meu especial reconhecimento aos voluntariosos companheiros: Altevir, Ferri, Gilberto e Ricardo, que apesar da distância, me apoiaram exaustivamente ao longo destes 85 dias: reafirmo, sem a prestimosa ajuda de todos, nosso pleito não lograria êxito. Concito-os a se manterem fiéis aos princípios que os guiaram até aqui.
 
Aos amigos portadores de meios de divulgação, formadores de opinião, um apelo: Não dêem as costas aos que, por dever de ofício, jamais faltarão ao juramento de defender a Pátria, com o sacrifício da própria vida. Rogo! Divulguem nossa causa!
 
Acreditando que este ato dará início a outros, coloco-me sempre ao inteiro dispor,
Pelo Brasil Verde, Amarelo, Azul e Branco.  Sarides Ferreira de Freitas.
 
PS: Aos apoiadores, peço, reservem um espaço para divulgar-nos no próximo dia 24. Obrigado!
Contato: 21 – 79785026

Assine a Petição AVAAZ aqui:

terça-feira, 21 de agosto de 2012

UMA VERDADE ESCONDIDA

ANAIS DO JORNALISMO

Escândalos da República 1.2

Por Mario Sergio Conti em 07/08/2012 na edição nº 706
Reproduzido da piauí nº 70, julho/2012; intertítulos do OI
Posfácio à nova edição de Notícias do Planalto mostra onde foram parar os jornalistas que cobriram o impeachment de Collor e o que aconteceu com a imprensa desde então
Os jovens repórteres que expuseram o governo de Fernando Collor não apuram mais notícias do Planalto. Cada qual teve razões particulares para isso. Vontade de fazer algo diferente, ambição de ganhar mais, o avanço da idade, pressões familiares, a competição e as chatices do metiê, o bloqueio da carreira, desilusões e também ilusões, convicções políticas ou a ausência delas, as mudanças no poder e no país. Tudo isso contou e conta. Mas o denominador comum dos que abandonaram a imprensa foi terem ido trabalhar em empresas, suas ou de outros, que se dedicam a atender políticos profissionais, homens de negócio e instituições.
Agora eles são assessores de comunicação, relações-públicas e publicitários. Ministram media training. Redigem discursos. Burilam a imagem pública de sua clientela e alardeiam os seus feitos. Gerem gabinetes de crise, contratados por gente de bens denunciada nos órgãos de imprensa nos quais antes trabalhavam. Quem ontem apontava as dissonâncias entre o marketing e a realidade é hoje marqueteiro.
O pano de fundo da migração de repórteres do caso Collor para atividades de divulgação foi a abertura de um novo ciclo na disputa por notícias. Criaram-se e cresceram dezenas de companhias, algumas delas minúsculas e outras com mais jornalistas que redações da grande imprensa, as quais vendem serviços a quem quer aparecer direito em jornais e revistas, no rádio e na televisão. Continua a existir a pressão sobre profissionais e patrões, exercida por protagonistas de notícias e anunciantes da imprensa. Eles se esfalfam para que certas reportagens sejam publicadas de determinada maneira, no mais das vezes sem destaque e com a predominância da versão daquele que pressiona. Mas agora, adicionalmente, se disseminaram agências que visam controlar fatos jornalísticos já no nascedouro, ou então reagem a eles para moldá-los.
Com o novo ciclo, abriu-se um mercado para repórteres que investigaram Collor. Eles eram experientes em falar com o poder e se comunicar com o público. Detinham conhecimento prático sobre a feitura de reportagens políticas de impacto. Sabiam dos mecanismos internos da grande imprensa. E mantinham laços com aqueles que continuaram no jornalismo – repórteres, colunistas, editores e diretores de redação –, a quem poderiam recorrer para convencê-los da correção de seus contratantes.
Graças a esse currículo eles passaram a trabalhar lado a lado com pesquisadores de opinião pública, advogados, sociólogos, analistas de mercado, fonoaudiólogos, figurinistas, cabeleireiros, maquiadores e afins. Poderoso e rico, o mercado não para de crescer. Governos, ministérios, secretarias, empresas e partidos de todo porte e ideário têm verbas para assalariar quem os ajude a lidar com notícias. E gravita ao seu redor uma nebulosa de companhias e consultores que lhes presta serviços, disputando concorrências e contas carnudas.
Exibicionismo collorido
Luís Costa Pinto, que fizera a entrevista na qual Pedro Collor acusava Paulo César Farias de ser testa de ferro de seu irmão, tornou-se consultor. Prestou serviços ao deputado João Paulo Cunha, réu no mensalão, e a Agnelo Queiroz, governador de Brasília cuja administração foi acusada de relacionamento espúrio com o contraventor Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Cachoeira. Mino Pedrosa descobrira o motorista Eriberto França, que comprovou o elo econômico entre Paulo César Farias e o presidente. E posteriormente ele trabalhou na primeira campanha de Fernando Henrique Cardoso, e foi assessor de Roseana Sarney e Joaquim Roriz, o ex-ministro de Collor que renunciou ao Senado ao ser apontado como corrupto. A sua agência de comunicação prestou serviços a Carlos Cachoeira.
Mário Rosa, que revelara as desgraças da Legião Brasileira de Assistência presidida por Rosane Collor, virou gerente de crises. Ele participou de campanhas eleitorais e foi consultor de Ricardo Teixeira, quando este era presidente da Confederação Brasileira de Futebol, e de Daniel Dantas, dono do banco Opportunity. Assim como Costa Pinto, Rosa foi contratado por Fernando Cavendish, ex-proprietário da empreiteira Delta, implicada nas traficâncias de Cachoeira.
Expedito Filho relatara o exibicionismo da corte collorida e registrara as acusações de Renan Calheiros ao presidente, e passou a atuar em relações públicas. Gustavo Krieger, que levantara os gastos do porta-voz Cláudio Humberto Rosa e Silva num cartão de crédito, foi chamado a dirigir a campanha publicitária de Gabriel Chalita, do PMDB, à prefeitura paulistana.
Plataformas distintas
Primeiro candidato a usar o marketing de maneira sistemática, Fernando Collor foi precursor da nova constelação. Ele posou para fotógrafos e câmeras de televisão em jatinhos, carros esportivos importados, fazendo exercício e com livros debaixo do braço. Vestiu fardas marciais e camisetas estampadas com mensagens de autoajuda. Ostentou adereços do luxo cosmopolita e adotou uma estudada postura de galã. Collor foi mais um atualizador de técnicas de exploração de imagens praticadas nos países centrais e menos um reprodutor do atraso dos sertões alagoanos. Na sua derrocada, os recursos de ilusionista contaram pouco, e de quase nada valeu a proximidade com patrões e o apoio de publicações e emissoras. O que acabou por se impor foram as manifestações populares contra o presidente, que se alimentaram de reportagens mostrando que a realidade do Planalto e da Casa da Dinda divergia da efígie higienizada que Collor projetava.
Um dos ensinamentos que políticos, empresários e jornalistas tiraram da eleição e da queda do presidente, portanto, foi a necessidade de reforçar a influência sobre aquilo que reverbera na imprensa e na opinião pública. Afinal, apesar de pioneiro, Collor fora um amador que catara aqui e acolá procedimentos de marketing dispersos no ar contemporâneo. Daí o fortalecimento daquilo que ele jamais teve: profissionais em tempo integral e sólidas empresas de comunicação política, nas quais a ideologia se subordina à técnica. Mais perceptível nas campanhas eleitorais, o fenômeno é internacional, e o Brasil dele participa. Volta e meia publicitários americanos desembarcam aqui, chamados a intervir na propaganda de partidos. Da mesma forma, marqueteiros brasileiros trabalham para candidatos da América Latina e da África.
Exemplar tanto do abandono do jornalismo quanto da nova configuração político-publicitária é a trajetória de João Santana Filho. Na juventude, ele esteve ligado à música de vanguarda e ao pop, chegando a ser compositor na Bahia, onde nasceu. Formou-se em jornalismo, trabalhou em revistas e jornais, estudou política e relações internacionais nos Estados Unidos e chefiava a sucursal da IstoÉ em Brasília no governo Collor. Ali, teve papel fundamental na reportagem sobre o motorista Eriberto França. Além de um dos autores do furo que definiu o destino do presidente, ele é afável, organizado, criativo e bom redator. Tinha atributos para se tornar um quadro da imprensa. Mas a trocou pela propaganda política.
João Santana se associou a Duda Mendonça – que chefiou a primeira campanha publicitária vitoriosa de Luiz Inácio Lula da Silva ao Planalto – e depois se afastou dele. Mendonça admitiu algum tempo depois, numa Comissão Parlamentar de Inquérito, que recebera no exterior cerca de 10 milhões de reais de pagamento e não os declarara ao fisco. Lula o substituiu por Santana na campanha de sua reeleição. A equipe de comunicação com a qual o ex-jornalista trabalhou tinha 150 pessoas. Ele dispunha de levantamentos de opinião pública diários, alicerçados em entrevistas de 700 pessoas em todo o Brasil e complementados por pesquisas qualitativas com oito grupos de doze integrantes, também elas realizadas todos os dias. Em dois meses e meio, o instituto Vox Populi, que sondara os humores da população para Collor, fez mais de 60 mil entrevistas para que Santana modulasse a propaganda de Lula, e criasse os slogans “Lula de novo, com a força do povo” e “Não troco o certo pelo duvidoso”. Ele contou a Fernando Rodrigues, da Folha de S.Paulo, que recebeu 13,750 milhões de reais pela reeleição de Lula.
Na mesma entrevista, Santana fez uma distinção: o marketing “adapta o produto ao gosto do consumidor. A publicidade é o instrumento que vende o produto propriamente”. E rebateu seus críticos:
“A percepção de que esta foi uma campanha eleitoral vazia, sem debate e inócua é um equívoco. Daqui a dez ou vinte anos, ao se comparar esta campanha com outras anteriores, vão concluir que foi uma das mais politizadas que o país já teve. Não houve rendição ao marketing. O eixo central foi crescimento com distribuição de renda, diminuição das desigualdades entre as regiões e as pessoas, inserção soberana do Brasil no mundo e outros. Há discussão essencialmente com mais oportunidade política do que essa? Dizer que é uma pobreza porque foi reduzido a slogan é novamente o baixo entendimento que existeentre o que é propaganda e marketing político.”
João Santana virou consultor de imagem de Lula. Criou para o Planalto as marcas PAC, o Programa de Aceleração do Crescimento, e Minha Casa Minha Vida. Dirigiu a propaganda na campanha de Dilma Rousseff, que contou com 200 pessoas na área de comunicação e custou, oficialmente, 44 milhões de reais. Técnicos da campanha de Barack Obama trabalharam na sua equipe, transferindo tecnologia de ferramentas da internet. Russos se ofereceram para ensinar como Vladimir Putin carreou votos para o seu sucessor, e foram rechaçados. Santana escreveu discursos e dirigiu os principais pronunciamentos em cadeia televisiva de Lula no Planalto, e fez o mesmo para Dilma. Levou a sua consultoria a candidatos de plataformas distintas na Argentina, Angola, República Dominicana, Peru, Venezuela e em El Salvador, onde ajudou a Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional a eleger Mauricio Funes presidente, também ele um ex-jornalista.
Força dominante
Collor foi desbravador bem-sucedido numa outra frente, a das campanhas eleitorais criminalizadas. No pleito anterior para presidente, quase trinta anos antes, a televisão era rudimentar e operava regionalmente como o rádio, não havia horário eleitoral gratuito, as pesquisas de opinião pública tinham dimensão reduzida e jatinhos ainda não cruzavam os céus levando os candidatos e suas entourages país afora. As campanhas se davam por meio de jingles de rádio e comícios, acompanhados por repórteres cujas matérias demoravam dias para chegar a jornais sem distribuição nacional. Empregando lances de marketing grosseiros e intuitivos – a vassoura que varreria a corrupção, a caspa no ombro, o linguajar abstruso –,Jânio Quadros pôde vencer o marechal Henrique Teixeira Lott, em 1960, sem que fosse necessária uma grande estrutura de comunicação.
Como a propaganda era modesta, foi menor o peso do poder econômico na definição dos votos. Com os programas eleitorais de televisão e rádio, comícios com músicos pagos, carreatas e viagens incessantes, os custos tornaram-se siderais. Cresceu na mesma medida o papel da grande financiadora de campanhas: a burguesia que faz negócios com o Estado. E se alastraram métodos delituosos de arrecadação de fundos. O caixa dois adquiriu aceleração própria, perpassando o conjunto dos partidos. Serviu e serve tanto para cacifar os postulantes num pleito como para mantê-los no poder e preparar futuras disputas nas urnas. Foi isso que Collor disse, recorde-se, quando Paulo César Farias lhe perguntou o que deveria fazer com os 60 milhões de dólares que sobraram dos 160 milhões arrecadados na campanha:
“Vai administrando o dinheiro. Use o que for necessário nesse período de transição até a posse. Pague os salários, as viagens e as hospedagens da nossa equipe. O resto você guarda para a gente gastar na campanha eleitoral do ano que vem.”
Num jantar no Rio, em 1992, Paulo César Farias riu à beça quando, a propósito de empreitadas eleitorais, repeti-lhe a observação de Trotsky acerca da casta stalinista, que nasceu nos primeiros anos do regime soviético, num quadro de penúria no qual os bolcheviques foram obrigados a repartir magros recursos: quem tem algo a dividir nunca se esquece de si mesmo.
Assim como os 60 milhões de dólares de Collor e PC Farias serviram, inadvertidamente, de carburante para a futura derrubada do presidente e para a prisão do seu caixa, outras arrecadações, sobras de campanha e dívidas eleitorais estiveram no início de muitos dos escândalos políticos que pipocam desde então. Há maneiras, vigentes em outros países, de restringir o poder econômico e baixar gastos nas campanhas. Seja no Executivo seja no Congresso, não houve interesse – ou força dominante – para que fossem adotadas no Brasil. Quem se beneficia de um sistema não tem por que reformá-lo.
“Mais consistência”
Ficou para trás a campanha de Lula no ano em que o povo alemão derrubou o Muro de Berlim. Ela usou criativamente a linguagem agitprop e brechtiana da esquerda e foi conduzida pelos seus militantes e simpatizantes. Pôs no horário eleitoral a Rede Povo e subverteu o padrão de qualidade da Rede Globo. Atraiu de graça atrizes e atores da emissora, custou menos de 1 milhão de dólares e levou o candidato ao segundo turno. O modelo de propaganda que vingou foi o de Collor: dispendioso e profissional, bancado em boa parte ilegalmente, dispondo de apetrechos tecnológicos de última geração, sondagens de opinião pública a rodo, e com a forma da publicidade de mercadorias.
Junto com a forma, que tornou as campanhas de Lula e Dilma parecidas com as de seus adversários, mudou o conteúdo da política do Partido dos Trabalhadores. Ele foi alterado por fatores externos – desencadeados pelo desmoronamento do mundo nascido com a Revolução Russa – e internos, e também pelo desígnio dos seus formuladores. “Havia uma grande dúvida se o pt era um partido de esquerda, e o governo Lula acabou sendo um governo extremamente conservador”, declarou o banqueiro Olavo Setúbal em 2006, poucos meses antes da reeleição presidencial. “Não tem diferença do ponto de vista do modelo econômico. Eu acho que a eleição do Lula ou do Alckmin é igual. Os dois são conservadores. Cada presidente tem suas prioridades, mas dentro do mesmo leque de premissas econômicas.”
O empresário Emílio Odebrecht, que organizara um jantar em sua casa para PC Farias e esposa, e cuja empreiteira fizera doações a Collor, retomou o tema no início de 2008:
“Nós quebramos um tabu enorme, que era a chegada de um presidente de esquerda e, mais ainda, um líder dos trabalhadores, e esse tabu não existe mais. O investidor estrangeiro sempre perguntava como se comportaria o Brasil com um presidente com esse perfil de esquerda, com essa ideologia, e veja o que aconteceu. Foi a melhor coisa que poderia ter acontecido para o nosso país, sem dúvida nenhuma. O investidor estrangeiro viu que os contratos foram preservados, que a linha ideológica é até mais rígida, em determinados aspectos, do que a dos anteriores. O Brasil tem mais consistência e inspira outro nível de confiança ao investidor. Essa quebra de tabu tranquilizou os investimentos, e o que se viu é que esse governo não tem nada de esquerda. O presidente Lula não tem nada de esquerda, nunca foi de esquerda.”
Identidade dos veículos
Na época da campanha contra Collor havia menos colunas, o que levou os editoriais do Estadão e da Folha defendendo a saída do presidente a sobressaírem, reforçando a identidade dos jornais e a sua posição institucional. E a opinião dos comentaristas não pesava tanto quanto as reportagens – se bem que um deles, Ricardo Noblat, do Jornal do Brasil, tenha sido demitido por criticar Collor na campanha eleitoral.
O colunismo se disseminou desde então. Numa contagem recente, a Folha dispunha de 113 colunistas. Mesmo que enfraqueça a voz própria de uma publicação, e eventualmente prevaleça sobre a reportagem, o colunismo é uma tradição brasileira que propicia maior diversidade aos órgãos de imprensa. Mas convém não esquecer que ele custa menos que a reportagem. Para fazer esta última é preciso procurar fontes, entrevistar, viajar, pesquisar, checar e editar o que tiver sido apurado. Para escrever colunas basta um computador. E o recurso a dezenas de comentaristas não é prática dominante na boa imprensa internacional. The New York Times tem doze colunistas; Le Monde, nenhum. São jornais que também enfrentam apertos. Numa maré montante de dificuldades, o diário americano tomou emprestados 250 milhões de dólares do bilionário mexicano Carlos Slim, que se tornou um dos seus maiores acionistas. O francês cortou repórteres, páginas e circulação, e os jornalistas perderam poder na empresa que o adquiriu quando uma onda de crise quase o punha a pique.
Muitos articulistas brasileiros publicam suas colunas em diversos jornais, que as reproduzem em seus sites, onde são copiados e se espalham pela internet. A ausência de exclusividade enfraquece a identidade dos diários. E não só ela. Conglomerados da imprensa buscam padronizar enfoques das suas publicações. As Organizações Globo, por exemplo, promovem reuniões semanais dos seus diretores de redação para definir a abordagem de certas notícias e iniciativas da empresa, o que de maneira alguma é feito ao arrepio do pensamento dos seus proprietários. Até se traduziu um termo para batizar a prática: sinergia.
O grupo capitaneado pelo Le Monde, no entanto, preserva a identidade dos órgãos sob o seu guarda-chuva, como La Vie, revista semanal cristã que circula há décadas, e Le Monde Diplomatique, que propugna uma globalização à esquerda. Nos Estados Unidos, a editora Condé Nast resguarda a distância entre The New Yorker e Vanity Fair. O que ajuda a entender que o diretor de redação da primeira tenha dado na revista o seu apoio à invasão do Iraque, enquanto em Vanity Fair isso não ocorreu, e o seu diretor se tornou um afiado crítico da guerra.
Tico de estrídulo
Fernando Collor refez a vida particular. Separou-se de Rosane e casou-se com a arquiteta alagoana Caroline Medeiros. Tatuou o nome dela no pulso esquerdo e tiveram gê-meas, Celine e Cecile. Ele é pai de outros três filhos, Arnon Affonso e Joaquim Pedro, com Lilibeth Monteiro de Carvalho, e Fernando James, que teve fora do casamento, com Jucineide Braz da Silva, e reconheceu legalmente ao deixar a Presidência.
Collor não dispõe mais dos préstimos de uma figura façanhuda como Paulo César Farias. Todas as investigações posteriores sobre o assassinato do gerente do seu caixa dois levaram à mesma conclusão: foi um crime passional, cometido pela namorada que ele pretendia abandonar na noite em que morreu. Em nenhum levantamento jornalístico ou policial surgiram testemunhas nem provas de que PC Farias tenha sido vítima de um complô.
Condenado pelo Congresso por crime de responsabilidade, Collor foi impedido de exercer função pública durante oito anos, mas o Supremo Tribunal Federal o absolveu da acusação de corrupção passiva. Ainda tem uns poucos processos pendentes e retomou a carreira política. Disputou duas vezes o governo de Alagoas e foi derrotado. Em 2007, elegeu-se senador pelo obscuro Partido Renovador Trabalhista Brasileiro, agremiação que apresenta a legenda a candidatos nanicos. Já no primeiro dia de mandato, Collor trocou-o pelo Partido Trabalhista Brasileiro, da base do governo. O caminho de Swann encontrou-se com o de Guermantes: Lula e seu adversário de 1989 passaram a apoiar um ao outro, e a Dilma Rousseff. Terminaram no mesmo palanque e, sorridentes, trocaram afagos em público.
Senador discreto e aplicado, Collor prefere a atividade dos comitês a pronunciamentos em plenário. Fala pouco sobre o passado e quase nunca à imprensa. Mas falou de Veja. Membro da Comissão Parlamentar de Inquérito criada para investigar Carlos Cachoeira, ele defendeu a convocação do jornalista Policarpo Junior, para que o redator-chefe da revista explicasse o seu relacionamento “de quase uma década” com o contraventor. E lançou no Parlamento um repto ao dono de Veja, a quem se referiu com um termo da máfia italiana, “capo de um bando de dez”:
“Em nome da verdade, desafio o chefe maior desse grupelho, o senhor Roberto Civita, a comparecer também à Comissão para falar da coabitação que, a seu mando, a revista de sua propriedade e alguns de seus jornalistas mantêm com o crime organizado. Se a razão do senhor Civita é tão patente e lúcida, se sua defesa da liberdade é tão consistente, não terá este capodecinaqualquer receio de se manifestar pessoalmente.”
Collor lembrou o que a imprensa fez quando da sua destituição do Planalto, e encerrou a arenga com um tico de estrídulo:
“Tenho sistematicamente me manifestado contrário a qualquer controle dos meios de comunicação. Sempre defendi a liberdade de imprensa, o contraditório, a divergência, o debate e a transparência dos fatos. Mesmo na Comissão Parlamentar de Inquérito em que me alvejaram, sempre abri todas as informações, jamais cerceei o trabalho dos meios de comunicação, e, assim mesmo, eles se valeram de atitudes criminosas, desonestas, fraudulentas. Por isso, ninguém tem autoridade para dizer que eu não defendo a liberdade de imprensa. Ninguém!”
Interesse próprios
Como senador, Collor não foi alvo de denúncias. Salvo uma, na qual o acusaram de uso indevido de um carro do Senado durante o recesso parlamentar. Ele explicou que o veículo servia a seu gabinete e o caso não teve consequência. Foi um episódio de pouca monta se comparado às negociatas que se repetem continuamente: anões do orçamento, privatização das teles, compra do sistema de monitoramento aéreo da Amazônia, obtenção de votos para a emenda da reeleição, informações privilegiadas na desvalorização do real, mensalão, demissão de seis ministros suspeitos de corrupção no primeiro ano do governo Dilma, o conluio do senador Demóstenes Torres com Cachoeira e asseclas etc.
Paulatinamente, as mutretas adquiriram som e imagem, viraram Escândalos da República 1.2. As inovações tecnológicas deixaram marcas na paisagem. Minicâmeras, microfones direcionais, sistemas que grampeiam simultaneamente dezenas de telefones, circuitos de vigilância e celulares que captam cenas mal iluminadas deram concretude às malversações. O governador flagrado no seu gabinete botando na mala maços de notas ou outro tomando champanhe aos berros com um empreiteiro que usa guardanapo na cabeça são mais eloquentes que a cópia borrada de um fac-símile comprovando falcatruas em Canapi. O sujeito entra num prédio para pegar propina e dias depois o que fez pode ser visto na internet e na televisão. A espetacularização ficou mais fácil.
E mais perigosa. O uso de gravações pela imprensa aproxima repórteres de policiais e criminosos. Uns gravam sob a proteção da lei (agentes de operações espalhafatosas da Polícia Federal) e outros ilegalmente (gangues que vivem de achaques e do comércio do que roubam). E ambos têm interesses próprios ao passar grampos e vídeos a jornalistas. Cria-se um laço no qual a promiscuidade e a manipulação são as pontas da corda: dou a fita, mas quero uma reportagem; dê-me a gravação e eu te protejo. É grande o risco de alguém se enforcar.
Lições do passado
Num poema dos anos 40, W. H. Auden escreveu:
Aprendemos com o passado? A polícia,/ Os estilistas de moda, todos os que/ Manejam os espelhos dizem: Não.
Pois Notícias do Planalto é uma tentativa de dar resposta positiva à pergunta do poeta. O livro foi pesquisado e escrito em quase dois anos de dedicação integral, num período sabático, e se beneficiou do quanto aprendi na cobertura da campanha, da Presidência e do impedimento de Collor.A vontade era descobrir novas notícias e sistematizar numa narrativa o que fizeram jornalistas e governantes naquela quadra. Para evitar que a experiência se perdesse, e para que se pudesse aprender algo com ela.
Como a imprensa não tinha nada digitalizado, o trabalho começou pelo estudo da bibliografia e de 50 quilos de recortes de jornais e revistas, bem como de gravações de programas eleitorais e de telejornais. Constatei que, para entender o jornalismo de então, seria preciso recuar algumas décadas e examinar a formação dos órgãos de imprensa, e assim sendo investigar quem foram os homens que os construíram. Fiz uma lista dos casos, problemas e histórias que abordaria, e das pessoas que deveria procurar. Levei por escrito as questões a cada um dos 141 entrevistados e anotei as respostas. Fiz 43 perguntas a Boris Casoy. A Collor, 150. Algumas entrevistas se estenderam e tiveram de ser desdobradas em dois ou três encontros. Elas foram feitas em São Paulo, no Rio, em Brasília e Maceió. Questões e respostas foram transcritas em seguida num computador. Todas as transcrições estão guardadas, mas não serão franqueadas porque prometi aos entrevistados não revelar quem me contou o quê.
A pesquisa e as entrevistas resultaram num material bruto enormemente rico. Mas considerações quanto ao tamanho e à complexidade do livro não explicam a narração adotada. Achei mais produtivo expor o máximo do material sem emitir opiniões. Acredito que uma visão acerca do que levantei preside e permeia a narrativa. Poderia ter feito uma análise do processo, ou ao menos das questões mais espinhosas apresentadas no livro. Mas a intenção – e ninguém deve acreditar apenas nas intenções de um autor: o que vale é o escrito – foi que o próprio leitor analisasse e chegasse a conclusões. A começar pelo leitor que acompanha a imprensa e pelo jornalista que a faz.
Ficaram de fora considerações sobre a relação entre empresários da imprensa e jornalistas, tema bastante abordado quando do lançamento do livro, em 1999. Houve quem dissesse que Notícias do Planalto foi condescendente com os patrões, e mesmo os protegeu, sobretudo por descrever as suas características pessoais e por mostrar o que os levou a tomar tal ou qual atitude. E outros acharam o contrário, que os resguardados foram os jornalistas, ou parte deles.
As avaliações conflitantes e mesmo o livro têm raízes no chão em que se assenta a grande imprensa. Uns são proprietários e outros empregados, mas cada edição de um noticioso é o fruto intelectual da ação comum de ambos, e depende de um acordo estabelecido previamente entre eles. A ação comum flui célere em dias de calmaria política e tende a se crispar quando ocorrem crises. As posições políticas se polarizam e divergências se espalham entre empresários e dentro das redações. A eleição de Collor e as revelações que culminaram na sua saída do Planalto foram crises que provocaram tomadas de posição de ambos os lados, e no interior deles, rearranjando acordos estabelecidos.
De todo modo, ninguém perdeu o emprego por ter escrito isso ou aquilo de Notícias do Planalto. Exceto o autor do livro. Trabalhei quinze anos em Veja, e nos quase sete em que fui o seu diretor de redação a tiragem dela passou de 900 mil para 1.250 milhão de exemplares semanais. Preparava na Editora Abril uma revista mensal de reportagens e artigos, para um público menor, quando o livro saiu, o que fez com que eu fosse demitido de pronto e o projeto cancelado. A vida seguiu adiante, trabalhei na Folha, fui correspondente em Paris da Rádio Bandeirantes, apresentador na Band News FM, fiz frilas para o Estadão e Bravo!, hoje estou no Roda Viva e sou repórter de piauí.
Aprendemos com o passado? Quiçá. Como disse outro poeta, T. S. Eliot:
O tempo presente e o tempo passado/ Estão ambos presentes talvez no tempo futuro,/ E o tempo futuro contido no tempo passado.
***
[Mario Sergio Conti é jornalista]

domingo, 10 de junho de 2012

GRITO DE SOCORRO

Revisão nos Soldos das Forças Armadas 
Por que isto é importante?
Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão.
As Famílias Militares solicitam aos integrantes deste Ministério o cumprimento da Lei 10.331 de 18 de dezembro de 2001. 
Já que a iniciativa de conceder reajuste salarial é do Poder Executivo, através do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, que é o órgão responsável pela elaboração do orçamento. É necessário também solicitar que o Poder Executivo encaminhe projeto de lei definindo o reajuste proposto. Portanto, o reajuste somente poderá ser concedido se houver recurso assegurado no Orçamento da União, que é enviado ao Congresso Nacional até o dia 31 de agosto do ano anterior à sua execução. Desta forma fica explícito que não teremos revisão dos soldos se nosso pleito não for atendido. Tal solicitação é amparada pela Constituição Federal de 1988 e pela Lei 10.331 de 18 de dezembro de 2001.
Vale registrar que as Forças Armadas está há onze anos sem revisão constitucional dos soldos. 
Registro: Milhares de famílias estão passando privações e constrangimentos por escassez de recursos.
Assine aqui:
Lastimável! E pensar que as Forças Armadas, garantia da paz que existe em solo brsileiro, chegou ao fundo do poço, como pedinte, implorando ao Governo do Brasil que não espolie mais àqueles profissionais que cuidam do país enquanto os políticos dormem.